A Ilha do Mel está localizada na parte central do litoral do Estado do Paraná, na entrada da Baía de Paranaguá. Ocupando uma área de 2.762 ha, situa-se a 2,5 milhas de Pontal do Sul e a 15 milhas da cidade de Paranaguá, entre as coordenadas 25º29'S (Ponta do Hospital) e 48º23'16"W (Ponta da Coroazinha).
À frente da Baía de Paranaguá, a Ilha do Mel é margeada pelos Canais Norte e Sudeste na região da Ilha das Peças e Superagüi e pelo Canal da Galheta ao Sul, na proximidade com Pontal do Sul. Este último é o acesso dos navios em direção ao Porto de Paranaguá.
Em função de sua proximidade com o Porto de Paranaguá, a Ilha é privilegiada com a malha rodoviária e ferroviária que a conecta via travessia marítima com Curitiba e todo o estado do Paraná, através da BR 277 e da ferrovia Curitiba-Paranaguá.
As principais atividades econômicas da região são a agricultura, a pesca, o turismo e principalmente as atividades do Porto de Paranaguá.
A Baía de Paranaguá abriga extensas áreas de manguezais e remanescentes da Floresta Atlântica. Por este motivo, faz parte da Reserva da Biosfera Vale do Ribeira-Graciosa (UNESCO, 1991) e resguarda a Área de Preservação Ambiental de Guaraqueçaba (1985), a Estação Ecológica da Ilha do Mel (1982) e o Parque Estadual da Ilha do Mel (2002).
A Ilha do Mel está inserida neste contexto de grande importância ambiental e econômica, compreendendo uma das principais reservas da biodiversidade do planeta e o terceiro maior porto exportador do Brasil.
Não se tem conhecimento da data precisa em que a primeira embarcação de descobridores penetrou na Baía de Paranaguá. Sabe-se apenas que foi no tempo das expedições de André Gonçalves e Gonçalo Coelho, que exploravam a costa do Brasil no início de 1500.
A Baía de Paranaguá teria sido descoberta por náufragos espanhóis e portugueses, que se fixaram em Cananéia (Ilha de Superagui). Em 1531, quando Martin Afonso explorou com mais detalhe a Baía, encontrou estes náufragos com apurado conhecimento da região. Iniciou-se assim, a história do Estado do Paraná.
Com o desenvolvimento do Porto de Paranaguá que era um dos principais portos da Capitania de São Paulo, o rei de Portugal D. José I ordenou em 1767 a construção na Ilha do Mel da Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres da Barra de Paranaguá ou Fortaleza da Barra, para proteger a Baía de Paranaguá das naus estrangeiras. A Ilha do Mel adquiriu importância como local estratégico de defesa e iniciou sua ocupação pelos portugueses. Nesta época desenvolveu-se na Ilha apenas economia de subsistência – mandioca e pesca, para atender aos militares que ali moravam.
No início do século XIX a Ilha era considerada um balneário, muitas famílias possuíam casas e lá descansavam. Com a implantação do transporte terrestre e ferroviário a função militar da Ilha entrou em declínio. Muitos administradores retornaram ao continente permanecendo apenas um pequeno pelotão e caboclos. Os visitantes passaram a procurar outras praias do litoral, como Matinhos, Caiobá e Guaratuba.
Depois de um longo período de abandono, com a chegada da energia elétrica e a construção de trapiches, a Ilha passou a configurar novamente o cenário turístico do Estado. Atualmente, a Ilha é um dos locais mais procurados por veranistas nacionais e internacionais do Estado do Paraná.
Origem do Nome
Não se sabe afirmar com exatidão a origem do nome “Ilha do Mel”. Algumas hipóteses foram formuladas, mas oficialmente sabe-se apenas que a Ilha era conhecida como “Ilha da Baleia” em função do morro de mesmo nome, até o final do século passado.
Antes da Segunda Guerra Mundial a Ilha era conhecida como “Ilha do Almirante Mehl”, devido à família Mehl que lá freqüentava. No período em que a Ilha era freqüentada por famílias alemãs vindas de Curitiba, produzia-se farinha de mandioca. A Ilha passou a ser conhecida como “Ilha da Farinha” e segundo o idioma alemão, farinha é mehl. Na década de 60, marinheiros aposentados que moravam na Ilha dedicavam-se à apicultura. A produção de mel na Ilha era abundante chegando a ser um produto de exportação. Outra hipótese menos aceita é a alta presença de ferro na água doce existente na Ilha, dando-lhe uma coloração amarela, semelhante à cor de favos de mel.
Organização Intitucional
A Ilha do Mel faz parte do território do Município de Paranaguá, mas devido suas características naturais e históricas, a responsabilidade pelo seu gerenciamento está sob as três instâncias governamentais, representadas principalmente pela SPU – Secretaria do Patrimônio da União, IAP - Instituto Ambiental do Paraná, Secretaria do Estado de Cultura e PMP - Prefeitura Municipal de Paranaguá.
Segundo o inciso IV, artigo 20 da Carta Magna, a Ilha do Mel é um bem da União, sendo esta responsável pela utilização do território e por sua administração. Entretanto, em 1982, a pedido do Governador Ney Braga, a Secretaria Geral do Ministério da Fazenda concedeu o domínio de uso da Ilha do Mel para o Estado do Paraná, através da Portaria nº160/82. Desde então, a administração da Ilha do Mel é responsabilidade do Estado do Paraná, primeiramente através do Instituto de Terras, Cartografia e Florestas – ITCF e atualmente através do Instituto Ambiental do Paraná – IAP.
Deve-se compreender, contudo, que a Fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres, situada na Praia do Forte, foi tombada pelo Patrimônio Histórico Artístico Nacional – IPHAN em 1972 e toda a Ilha do Mel é um bem tombado pelo Departamento do Patrimônio Histórico Artístico Estadual desde 1975. Portanto, o Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional e a Secretaria do Estado de Cultura também possuem responsabilidades na Ilha.
Ainda em função de sua localização e processo histórico da descoberta da Baía de Paranaguá, a Ilha faz parte da área rural do Município de Paranaguá, sendo, portanto, o local onde os ilhéus adquirem cidadania.
O histórico jurídico que retrata o gerenciamento da Ilha do Mel e a competência das instituições responsáveis por sua administração são apresentados a seguir, em ordem cronológica.
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Fonte:
Guia do Litoral 2009 e Fumtur - Fundação Municipal de Turismo de Paranaguá